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Esse espaço foi criado para que possamos divulgar nossos trabalhos e de outros profissionais, trocar experiências, dar nossas opiniões, questionar, refletir, criticar e buscar soluções aos problemas enfrentados hoje no contexto escolar. "Devemos juntos cuidar de nossas crianças, afinal o nosso futuro e País está nas mãos dessa nova geração"



MUITO ALÉM DE UMA PORTA -Texto: Dr. Içami Tiba (Psicoterapeuta).



Se você encontrar uma porta à sua frente, poderá abri-la ou não. Se você abrir a porta, poderá ou não entrar em uma nova sala. Para entrar, você vai ter que vencer a dúvida, o titubeio ou o medo. Se você venceu, você deu um grande passo: nesta sala vive-se. Mas também tem um preço: são inúmeras as outras portas que você descobre. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta. A vida não é rigorosa: ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos, quando, com eles, se aprende. Não existe a segurança do acerto eterno. A vida é generosa: a cada sala em que se vive, descobre-se outras tantas portas. A vida enriquece a quem se arrisca a abrir novas portas.Ela privilegia quem descobre seus segredos, e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa: se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela sua frente. É a repetição perante a criação. É a monotonia cromática perante o arco-íris. É a estagnação da vida. Para a vida, as portas não são obstáculos, são apenas diferentes passagens.








sexta-feira, 9 de abril de 2010

A PROBLEMÁTICA DA INDISCIPLINA E VIOLÊNCIA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO

  Podemos observar em nossas Instituições de Ensino, que a uma maior predominância de jovens com problemas de indisciplina e violência, se encontram nas faixas etárias entre os 10 e 14 anos, e essa fase é denominada de período intermediário, entre a pré-adolescência e adolescência, fase complicada, que é marcada por mudanças bruscas em todo seu organismo (fisiológico) e que interferem significativamente no seu lado psíquico, fisiológico e afetivo. Sentimentos e ações são explosivas, e emergem por qualquer motivo, a necessidade de afirmação da identidade pode levar a jovem a ter reações agressivas ou de retraimento.

  Sentimentos de baixo estima, rejeição, abandono, medo e outros se manifestam com muita intensidade, são lembranças de um passado triste ou feliz; de uma família presente ou ausente; de pais omissos ou super-protetores; criado sob normas rígidas ou sem regras e limites. Nessas faixas etárias tudo o que aprenderam em casa e do meio social influenciam na sua personalidade. Porém é a fase da incerteza, trazem muitas idealizações e sonhos; mas sem uma perspectiva “real de futuro”. O que ainda prendem muitos desses alunos na Escola, é a questão da família necessitar da renda “Bolsa Familia” onde a freqüência escolar é obrigatória.

  Atualmente o fato de residirem com os pais, não significa que tenham um convívio harmonioso e satisfatório para o pleno desenvolvimento desse menor, sabemos que o importante é a qualidade das relações familiares, será que a família supre as necessidades desse jovem em todos os aspectos: cuidados na saúde, higiene pessoal, alimentação, estímulo para os estudos, educação, princípios de convívio social, limites e regras, afetividade, segurança e uma crença espiritual/religiosidade.

  Como foi dito anteriormente esse sentimento está relacionado a fase de adolescência e aos conflitos familiares que passaram ou que ainda passam. É a fase da incerteza, que se passa da infância para o início da fase adulta, muitos sentem medo do crescimento, sentem medo das responsabilidades que terão que assumir, e se não encontram um caminho, uma orientação, ficam sem perspectiva de vida e de futuro. Precisam confiar em alguém ou em algo que lhes ajudem a superar essa fase.

  O educador poderá ser essa pessoa, quando deixar de lado sua arrogância e autoritarismo, ser mais humano e servir de exemplo para esse jovem. Muitos desses adolescentes colocam essa necessidade de serem pessoas melhores, de terem um futuro e se sentirem amados. Vários podem ser os motivos que podem levar os jovens a usarem drogas, e dentre elas: a questão familiar, a insegurança, o grupo de convivência, problemas emocionais, predisposição de Histórico familiar, a fuga da realidade (desse mundo que é encarado por muitos como hostil e insensível) e a falta de perspectiva de vida.Conclui-se que em termos institucionais, a ação escolar, seria marcada por uma espécie de “reprodução” difusa de efeitos oriundos de outros contextos externos: a política, a economia, a família, a mídia etc., que se fariam refletir no interior das relações escolares.

  Porém de um modo ou de outro, a escola e seus atores constitutivos, principalmente o professor, parecem tornar-se reféns de sobre determinações que em muito lhes ultrapassam, restando-lhes apenas um misto de resignação, desconforto e, inevitavelmente, desincumbência perante os efeitos de indisciplina e violência no cotidiano prático, posto que a gênese do fenômeno e, por extensão, seu manejo teórico-metodológico residiriam fora, ou para além, dos muros escolares. È necessário que se estabeleça na Instituição Escolar, uma autoridade que emerge de coerência e não do título que possui ou cargo que ocupa; bem como uma disciplina onde o aluno é chamado a cumprir suas tarefas sob um ambiente harmonioso, baseado na prática coletiva de escola e não algo simplesmente impresso em teorias e que não se sabe por quem, com qual objetivo e se fazem parte da nossa realidade do município ou não.

  Realmente, conquistar a disciplina em sala de aula e na escola tornou-se um verdadeiro desafio para o ensino atual, na prática, o que vemos é uma escola que não proporciona alegria, satisfação e tampouco aprendizagem consistente, estando desta maneira muito distante das aspirações e necessidades dos alunos. Segundo a maioria dos alunos, os professores geralmente são autoritários, não permitem ativa participação do aluno em sala, não preparam aulas, chegam com mau humor, se utilizam de gritos, gostam de perseguir o aluno que questiona ou tem uma opinião própria; gostam somente do aluno quietinho, e não do aluno que apresenta dificuldades de aprendizagem e problemas.

  Ainda temos alguns professores em suas salas de aulas que oferecem conhecimentos abstratos, sem relacionar à vida prática; não dominam os conteúdos, dão aulas monótonas, repetitivas e aborrecidas, numa escola “chata”, com pessoas “chatas” e sem atrativos. Dessa forma, os alunos não aprendem, mas sim, repetem, evadem ou passam por esquemas precários de recuperação, além de não sentirem nenhuma alegria ou confiabilidade no ambiente escolar.

  Em suma, estabelecer uma disciplina orientada pela vontade de formar cidadãos conscientes e autônomos, prontos para atuarem na sua realidade, instrumentalizados com os conhecimentos, para o pleno exercício da cidadania e capazes de colaborar na construção de um mundo mais humano e mais fraterno é o nosso maior desafio, enquanto profissionais que atuam na Instituição Escolar.



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