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Esse espaço foi criado para que possamos divulgar nossos trabalhos e de outros profissionais, trocar experiências, dar nossas opiniões, questionar, refletir, criticar e buscar soluções aos problemas enfrentados hoje no contexto escolar. "Devemos juntos cuidar de nossas crianças, afinal o nosso futuro e País está nas mãos dessa nova geração"



MUITO ALÉM DE UMA PORTA -Texto: Dr. Içami Tiba (Psicoterapeuta).



Se você encontrar uma porta à sua frente, poderá abri-la ou não. Se você abrir a porta, poderá ou não entrar em uma nova sala. Para entrar, você vai ter que vencer a dúvida, o titubeio ou o medo. Se você venceu, você deu um grande passo: nesta sala vive-se. Mas também tem um preço: são inúmeras as outras portas que você descobre. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta. A vida não é rigorosa: ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos, quando, com eles, se aprende. Não existe a segurança do acerto eterno. A vida é generosa: a cada sala em que se vive, descobre-se outras tantas portas. A vida enriquece a quem se arrisca a abrir novas portas.Ela privilegia quem descobre seus segredos, e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa: se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela sua frente. É a repetição perante a criação. É a monotonia cromática perante o arco-íris. É a estagnação da vida. Para a vida, as portas não são obstáculos, são apenas diferentes passagens.








quarta-feira, 7 de abril de 2010

PROCURANDO COMPREENDER O DESENVOLVIMENTO HUMANO E COGNITIVO


“O desenvolvimento humano refere-se ao desenvolvimento mental(cognitivo), afetivo, social, espiritual e ao crescimento orgânico”. O desenvolvimento cognitivo é uma construção contínua, que se caracteriza pelo aparecimento gradativo de estruturas mentais. Estas são formas de organização da atividade mental que se vão aperfeiçoando e solidificando até o momento em que todas elas, estando plenamente desenvolvidas, caracterizarão um estado de equilíbrio superior quanto aos aspectos da inteligência, vida afetiva e espiritual e relações sociais.


O desenvolvimento cognitivo envolve a ampliação dos horizontes: o ser humano torna-se sempre mais capaz de compreender e de pensar o passado, o presente e o futuro, a criança pequena só tem condições de perceber e viver o presente. Há um aumento da capacidade para lidar com abstrações e símbolos, o exemplo mais característico é o da linguagem, ou seja, por volta dos 2 anos a criança usa 150 palavras; já aos 7 anos pode utilizar aproximadamente 2500 palavras e com o desenvolvimento progressivo e sem bloqueios ou dificuldades, torna-se cada vez mais complexa e rica em expressões e idéias.

- Apresenta capacidade de atenção e concentração por períodos cada vez mais longos; quanto mais nova a criança, menor sua capacidade de atenção e concentração em uma tarefa. Ela se cansa mais facilmente e tende a mudar de atividade. Com o passar dos anos tende a desenvolver de forma mais intensa a Atenção e a concentração.

- O desenvolvimento humano, não apresenta momentos de modificações radicais; a evolução é gradual e contínua. Entretanto, em alguns momentos ocorrerão maiores alterações como, por exemplo, o crescimento físico na infância e na adolescência é mais acentuado, e perceptível do que na idade adulta, que é um período de maior estabilidade. Mesmo considerando-se o desenvolvimento contínuo, para estudá-lo dividiu-se o processo em cinco fases, cada uma com características próprias. São elas :

• Pré-natal

• Infância de zero a 12 anos

• Adolescência - dos 12 a 18 anos ou 21 anos

• Idade adulta - dos 21 aos 60 anos

• Velhice - dos 60 ou mais.

- A maturidade pode ser dividida em quatro dimensões principais:

• Maturidade emocional – diz respeito à expressão e ao controle das emoções nas diversas idades. Parte fundamental da vida humana.

• Maturidade social – compreenda a evolução da sociabilidade, no sentido de superação do egocentrismo infantil, na contribuição para o bem-estar social e a participação nas decisões de interesse social.

• Maturidade física – engloba o desenvolvimento das características físicas, estatura,peso, sexo, ser canhoto, índio, etc.

• Maturidade intelectual – refere-se à maneira como a pessoa vai conhecendo a si mesma e ao mundo que a cerca.

Explicar o mecanismo da aprendizagem é esclarecer a maneira pela qual o ser humano se desenvolve, toma conhecimento do mundo em que vive, organiza a sua conduta e se ajusta ao meio físico e social.“A criança não é um adulto em miniatura. Ao contrário, apresenta características próprias de sua idade. Compreender isso é compreender a importância do estudo do desenvolvimento humano. Estudos e pesquisas de Piaget demonstraram que existem formas de perceber, compreender e se comportar diante do mundo, própria de cada faixa etária, ou seja, existe uma assimilação progressiva do meio ambiente, que implica uma acomodação das estruturas mentais a este novo dado do mundo exterior.

Para Piaget, existe um desenvolvimento da moral que ocorre por etapas, de acordo com os estágios do desenvolvimento humano. Segundo Piaget , "toda moral consiste num sistema de regras e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por estas regras".

Dessa forma, Piaget argumenta que o desenvolvimento da moral abrange 3 fases: (a) anomia (crianças até 5 anos), em que a moral não se coloca, ou seja, as regras são seguidas, porém o indivíduo ainda não está mobilizado pelas relações bem x mal e sim pelo sentido de hábito, de dever; (b) heteronomia (crianças até 9, 10 anos de idade), em que a moral é = a autoridade, ou seja, as regras não correspondem a um acordo mútuo firmado entre os jogadores, mas sim como algo imposto pela tradição e, portanto, imutável; (c) autonomia, corresponde ao último estágio do desenvolvimento da moral, em que há a legitimação das regras e a criança pensa a moral pela reciprocidade, quer seja o respeito a regras é entendido como decorrente de acordos mútuos entre os jogadores, sendo que cada um deles consegue conceber a si próprio como possível 'legislador' em regime de cooperação entre todos os membros do grupo.

Segundo Piaget, a própria moral pressupõe inteligência, haja vista que as relações entre moral x inteligência têm a mesma lógica atribuída às relações inteligência x linguagem. Quer dizer, a inteligência é uma condição necessária, porém não suficiente ao desenvolvimento da moral. Nesse sentido, a moralidade implica pensar o racional, em 3 dimensões: a) regras: que são formulações verbais concretas, explícitas (como os 10 Mandamentos, por exemplo); b) princípios: que representam o espírito das regras (amai-vos uns aos outros, por exemplo); c) valores: que dão respostas aos deveres e aos sentidos da vida, permitindo entender de onde são derivados os princípios das regras a serem seguidas.

Atualmente temos um número excessivo de CRIANÇAS E ADOLESCENTES que não conseguem aprender, as famílias e educadores apresentam relatos de pessoas normalmente desenvolvidas em outras esferas e dimensões da vida, mas que não aprendem quando colocadas em situação normal de escolaridade. Constata-se que um grande número de crianças que procuram a escola não aproveita a experiência vivida e acumulam, ao longo dos anos, lacunas e defasagens que aos poucos as afastam totalmente da vida escolar ou, quando não, terminam a escolaridade de forma precária e com grande atraso.

Podemos destacar alguns fatores que podem vir a contribuir para esse quadro:

- O aumento do contingente da população que hoje tem acesso à escola e o relativo despreparo da escola para recebê-lo;

- A complexidade cada vez maior da desestrutura familiar: violência familiar, gravidez precoce, uso de drogas;

- A competição que a escola sofre com outros meios de comunicação e informação, notadamente a televisão;

- A discrepância, muitas vezes ressaltada e discutida, entre o conteúdo escolar e a vida, ou a realidade da criança;

- O despreparo do professor frente a mudanças rápidas e demandas diversificadas que caracterizam a sociedade pós-moderna;

- As características individuais do aprendiz no que tange ao ritmo e peculiaridades de seu desenvolvimento cognitivo, emocional, linguístico, psicomotor , valores morais, espirituais e social.

 DISTÚRBIOS DA VISÃO - Como identificar:

- pelo modo de agir da criança – esfregar os olhos, sensibilidade à luz, piscar excessivamente, apertar os olhos…

- pela queixa da criança – não enxerga bem, visão embaralhada, tonturas, dores de cabeça, náuseas…

- pela observação – olhos inflamados, vermelhos, lacrimejantes, estrabismo, terçóis…

 - durante a leitura e a escrita – segura o livro muito perto, perde o lugar da página, pára depois de certos períodos de leitura…

- Distúrbios mais comuns: miopia, hipermetropia, astigmatismo, estrabismo, daltonismo.

 DISTÚRBIOS DA AUDIÇÃO – Como identificar:

- defeitos de linguagem;

- expressão oral pobre;

- pedidos para que repitam palavras e instruções;

- uso excessivo de “o que?”, “como?”;

- andar arrastando os pés;

- ausência de reações a sons pouco intensos, for a de seu campo visual;

- dores ou supuração de ouvidos;

- ditados com muitos erros;

- Irritabilidade e falta de interesse na aula;

 AUTISMO – Caracteriza-se por uma interiorização intensa – um fechamento em si mesmo – e por um pensamento desligado do real. Essa incapacidade de relacionamento pode surgir nos primeiros anos de vida e seu maior sintoma é a criança viver em um mundo todo particular. Nenhuma teoria orgânica ou interpessoal, até então, foi plenamente aceita.

 AGRESSIVIDADE – O estudo da agressividade na criança revela que o convívio social e fatores de agressão no lar contribuem decisivamente para o desenvolvimento da superagressividade na criança. No ambiente escolar, esse comportamento revela-se das mais variadas formas - da reação de um ímpeto emocional, caótico e difuso, quando a criança chora, esperneia e esbraveja, até o ataque verbal ou físico, com murros, pontapés e mordidas.

 MEDO – Basicamente, quando o medo chega ao nível de distúrbio, dois fatores podem ser intervenientes: a falta de segurança ou a falta de amor e proteção. No entanto, outros fatores coadjuvantes merecem ser lembrados: experiências prévias que provocaram medo, atitude medrosa dos pais, ameaças de adultos, imaturidade por superproteção, dentre outros.

 FOBIA ESCOLAR – Caracteriza-se pela incapacidade parcial ou total de freqüentar a escola, podendo ocorrer em todos os níveis sociais, em todos os graus de escolaridade e em todos os níveis de inteligência. Manifestam-se por meio de ansiedade, pânico, náuseas, vômitos, diarréias, dor de cabeça, dor de barriga, falta de apetite, palidez e, até, febre. Não se deve confundir a fobia escolar com temor natural dos primeiros dias de aula. A fobia escolar tem como uma das causas não tanto o medo de ir à escola, mas o de ser abandonado for a de casa. Esse temor acentua-se quando a mãe, insegura, carente afetivamente e que precisa da criança para realizar-se emocionalmente, tolhe todo o processo de crescimento e de liberdade do filho, enfraquecendo-o inconscientemente e prolongando sua dependência.

 CIÚME – O ciúme, quando patológico, traz reações imprevisíveis e incontroláveis que vão desde a invela, seguida da raiva, do ódio, da pena, autocomiseração, vingança, tristeza, mortificação, culpa, vaidade, inferioridade, orgulho, medo, ansiedade…Reflete insegurança quanto à atenção e amor dos pais.

 TIMIDEZ – Do ponto de vista do temperamento, a criança já nasce com uma série de características mais ou menos pronunciadas e, assim, umas são mais inibidas, outras mais extrovertidas. No entanto, a timidez excessiva da criança deve ser olhada com seriedade pelos pais. Provém, em geral, de um complexo de inferioridade cultivado, talvez, pelas próprias mensagens parentais, configurando a base do autoconceito e da auto-estima.

 FANTASIA – Trata-se aqui, não da fantasia considerada “normal”, que é uma forma de ajustamento da criança ao real. Mas da fantasia caracterizada como problema psicológico, usada pela criança como uma espécie de fuga da realidade, que ela não deseja aceitar por alguma razão.

 NEGATIVISMO – Caracteriza-se, como distúrbio, por uma resistência exagerada da criança frente às imposições que o adulto lhe faz e essa resistência muitas vezes se manifesta sob forma de desobediência, acompanhada de agressividade. De início, manifesta-se pela recusa em cumprir ordens ou pedidos, fingindo não ouví-los, mostra-se vagarosa,em excesso para comer, tomar banho e, à medida em que cresce, apresenta um vocabulário onde “não” é a primeira forma de reação.

 AGITAÇÃO, INQUIETUDE, INATABILIDADE –As causas dessas condutas variam de uma situação para outra, e não se configuram distúrbios senão quando acompanhadas de agressividade provocando descontentamento pessoal e relacional. São reações típicas em certas situações de vida, como diante de um mau ambiente familiar, pais que brigam em frente das crianças, doenças mentais, lesões cerebrais… No entanto, são normais em certos períodos de vida – crises passageiras como as dos três anos e a da puberdade.

 SEXUALIDADE – Refle a curiosidade natural de aprender coisas a respeito do sexo, do próprio corpo, do corpo do sexo oposto, do corpo dos pais. Tornam-se distúrbios a partir da maneira como os adultos recebem e lidam com essas necessidades, apresentando ansiedades ou reações impulsivas, deturpação da realidade, levando a criança a fantasias a respeito.

 PROBLEMAS FAMILIARES – Uma grande parte dos distúrbios de comportamento reflete o desequilíbrio social e emocional das relações existentes na família, em cujo núcleo existem problemas que podem interferir na aprendizagem, refletindo-se no desempenho escolar, dentre eles: Separação dos pais; Morte dos pais ou de figuras próximas; Superproteção; Vícios …

SUGESTÕES DE COMO O EDUCADOR DEVE ATUAR COM O PROBLEMA:

 Procurar ter uma boa relação com os pais e demais familiares;

 Conhecer o contexto familiar da criança, bem como sua história de vida e desenvolvimento;

 Não “rotular” ou “discriminar” a criança diante dos coleguinhas ou demais pessoas;

 Saber lidar com as diferenças culturais e as limitações;

 Ter sentimentos de : respeito, afeto, solidariedade, paciência, tolerância;

 Estar sempre atento as mudanças de comportamento ou atitudes, que podem refletir que algo esta “errado” ou “anormal” com essa criança, ou no seu contexto familiar;

 Solicitar ajuda de outros profissionais, encaminhando para as áreas de Psicopedagogia, Psicologia, Fonoaudiologia, Neurologista, Psiquiatria ou outras áreas.

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